É preciso olhar para trás e
observar como a escola atual foi construída ao longo dos séculos e perceber que
boa parte dela permanece estagnada. Ao refletir sobre a história da educação,
podemos entender a escola contemporânea.
O autor espanhol
José Esteve descreve a trajetória da escola ao longo de sua com o nome “A Terceira Revolução Educativa”.
Para o autor
o surgimento da educação formal se deu no Egito, na época dos faraós, sendo
esta a Primeira Revolução. Há 2500 anos atrás, nas cortes dos faraós egípcios
era importante a educação dos filhos dos faraós e também dos sacerdotes. Esta escola visava apenas
a educação dos filhos da aristocracia, ou seja, a pequena parcela da população.
A partir dessa época surge a ideia dos preceptores, isto é, uma educação mais
individualizada.
Já Segunda Revolução Educativa se
deu por volta do século XVIII, com a formação dos estados europeus (Prússia, Rússia,
Alemanha), saída do período feudal. A educação é legalmente estabelecida como
pública e de responsabilidade do estado por Guilherme II (até então a grande
responsável era a Igreja).
A escola não atendia todos os
alunos, apesar de pública e abrangia o gênero masculino, branco. Ou seja,
atendia a poucos alunos o que demonstra a ligação com a estrutura
homogeneizante e econômica da sociedade da época: pressupostos legitimam a
exclusão da população. Escola
homogeneizada não tem nenhuma diferença, qualquer diferença era legitimo ao
professor praticar a exclusão.
Nessa escola excludente e de poucos
que perdurou por longos anos, o professor é transmissor do conhecimento, os livros são caro,
acesso ao conhecimento era caro, revelando o prestígio social de quem poderia ter.
A Terceira Revolução Educacional
se iniciou por volta do século XX, especialmente nos últimos trinta anos com
o processo de universalização da
educação e processo sócio político econômico. Houve uma mudança na base econômica,
que se voltou ao setor de serviços. A sociedade hoje legitima a busca pela
universalização e o acesso à escolarização e isso reflete na sala de aula com a
inclusão da diferença (sociais econômicas, étnicas, gêneros, psíquicas,
físicas, culturais). A diversidade gera
maiores desafios em gerenciar acessibilidade com equidade e qualidade na
educação.
O nosso desafio é como
reconfigurar essa escola que foi pensada e está estruturada na desigualdade?
Fica claro que a escola para
todos não funciona no mesmo modelo em que foi concebida no século XVIII.

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