domingo, 20 de outubro de 2013

As revoluções educacionais



É preciso olhar para trás e observar como a escola atual foi construída ao longo dos séculos e perceber que boa parte dela permanece estagnada. Ao refletir sobre a história da educação, podemos entender a escola contemporânea.

O autor espanhol José Esteve descreve a trajetória da escola ao longo de sua  com o nome “A Terceira Revolução Educativa”.

Para o autor o surgimento da educação formal se deu no Egito, na época dos faraós, sendo esta a Primeira Revolução. Há 2500 anos atrás, nas cortes dos faraós egípcios era importante a educação dos filhos dos faraós e  também dos sacerdotes. Esta escola visava apenas a educação dos filhos da aristocracia, ou seja, a pequena parcela da população. A partir dessa época surge a ideia dos preceptores, isto é, uma educação mais individualizada.

Já Segunda Revolução Educativa se deu por volta do século XVIII, com a formação dos estados europeus (Prússia, Rússia, Alemanha), saída do período feudal. A educação é legalmente estabelecida como pública e de responsabilidade do estado por Guilherme II (até então a grande responsável era a Igreja).

A escola não atendia todos os alunos, apesar de pública e abrangia o gênero masculino, branco. Ou seja, atendia a poucos alunos o que demonstra a ligação com a estrutura homogeneizante e econômica da sociedade da época: pressupostos legitimam a exclusão da população.   Escola homogeneizada não tem nenhuma diferença, qualquer diferença era legitimo ao professor praticar a exclusão.

Nessa escola excludente e de poucos que perdurou por longos anos, o professor  é transmissor do conhecimento, os livros são caro, acesso ao conhecimento era caro, revelando o prestígio social de quem  poderia ter.

A Terceira Revolução Educacional se iniciou por volta do século XX, especialmente nos últimos trinta anos com o  processo de universalização da educação e processo sócio político econômico. Houve uma mudança na base econômica, que se voltou ao setor de serviços. A sociedade hoje legitima a busca pela universalização e o acesso à escolarização e isso reflete na sala de aula com a inclusão da diferença (sociais econômicas, étnicas, gêneros, psíquicas, físicas, culturais).  A diversidade gera maiores desafios em gerenciar acessibilidade com equidade e qualidade na educação.

O nosso desafio é como reconfigurar essa escola que foi pensada e está estruturada na desigualdade?

Fica claro que a escola para todos não funciona no mesmo modelo em que foi concebida no século XVIII.

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