sábado, 26 de outubro de 2013

Os caminhos da interdisciplinaridade

Os caminhos da interdisciplinaridade passam por uma organização do conhecimento científico. O sociólogo francês Edgar Morim apresenta, em seus estudos, um pensamento simplificador da sistematização da ciência, este possui três princípios:

1º) Disjunção: trata-se da separação entre os diversos tipos de conhecimentos. Separando os diversos tipos de conhecimentos, cria-se as disciplinas. Este pensamento vem do filósofo Descartes, separa-se o todo para estudar o mesmo fenômeno fragmentado nas diversas disciplinas.

2º) Redução: analisa parte como se fosse o todo, do complexo ao simples.

3º) Abstração: é a formalização e matematização da ciência.

Em suma, divide o todo em partes e, assim, pode-se detalhar melhor o conhecimento. O problema do pensamento simples ou simplificador está em querer justificar / explicar o todo por uma parte.

Superação da disciplinaridade

TRANSDISCIPLINARIDADE: referem-se à temáticas que ultrapassam a própria articulação entre as disciplinas. Extrapola qualquer disciplina em si.

MULTIDISCIPLINARIDADE: ocorre quando um determinado fenômeno a ser analisado solicita o aporte de várias disciplinas para explicá-lo. Não existe diálogo entre as disciplinas e os profissionais. Cada um analisa dentro do seu campo de atuação sem dialogar com os demais profissionais.

INTERDISCIPLINARIDADE: quando um fenômeno é estudado por duas ou mais disciplinas, porém, há o diálogo entre os envolvidos. Faz-se a leitura a partir da sua disciplina e dialoga com as demais. Caracteriza por relações mais fortes e estreitas entre as disciplinas.

No entanto, o que temos é uma escola cujos padrões ainda estão estreitamente ligados à padrões passados, o professor, seus alunos, sua sala de aula. O professor entra na sala, fecha a porta e não quer ser incomodado. Não há o diálogo. O movimento de interação com as demais áreas do conhecimento só vem a favorecer a aprendizagem e a construção de conhecimento dos alunos, que poderão, à partir daí, construir uma visão ampla da realidade e a relação existente entre as diversas áreas do conhecimento.

domingo, 20 de outubro de 2013

As revoluções educacionais



É preciso olhar para trás e observar como a escola atual foi construída ao longo dos séculos e perceber que boa parte dela permanece estagnada. Ao refletir sobre a história da educação, podemos entender a escola contemporânea.

O autor espanhol José Esteve descreve a trajetória da escola ao longo de sua  com o nome “A Terceira Revolução Educativa”.

Para o autor o surgimento da educação formal se deu no Egito, na época dos faraós, sendo esta a Primeira Revolução. Há 2500 anos atrás, nas cortes dos faraós egípcios era importante a educação dos filhos dos faraós e  também dos sacerdotes. Esta escola visava apenas a educação dos filhos da aristocracia, ou seja, a pequena parcela da população. A partir dessa época surge a ideia dos preceptores, isto é, uma educação mais individualizada.

Já Segunda Revolução Educativa se deu por volta do século XVIII, com a formação dos estados europeus (Prússia, Rússia, Alemanha), saída do período feudal. A educação é legalmente estabelecida como pública e de responsabilidade do estado por Guilherme II (até então a grande responsável era a Igreja).

A escola não atendia todos os alunos, apesar de pública e abrangia o gênero masculino, branco. Ou seja, atendia a poucos alunos o que demonstra a ligação com a estrutura homogeneizante e econômica da sociedade da época: pressupostos legitimam a exclusão da população.   Escola homogeneizada não tem nenhuma diferença, qualquer diferença era legitimo ao professor praticar a exclusão.

Nessa escola excludente e de poucos que perdurou por longos anos, o professor  é transmissor do conhecimento, os livros são caro, acesso ao conhecimento era caro, revelando o prestígio social de quem  poderia ter.

A Terceira Revolução Educacional se iniciou por volta do século XX, especialmente nos últimos trinta anos com o  processo de universalização da educação e processo sócio político econômico. Houve uma mudança na base econômica, que se voltou ao setor de serviços. A sociedade hoje legitima a busca pela universalização e o acesso à escolarização e isso reflete na sala de aula com a inclusão da diferença (sociais econômicas, étnicas, gêneros, psíquicas, físicas, culturais).  A diversidade gera maiores desafios em gerenciar acessibilidade com equidade e qualidade na educação.

O nosso desafio é como reconfigurar essa escola que foi pensada e está estruturada na desigualdade?

Fica claro que a escola para todos não funciona no mesmo modelo em que foi concebida no século XVIII.

domingo, 6 de outubro de 2013

Paidéia




A ideia grega de Paideia estava ligada a um ideal de formação educacional, que procurava desenvolver o homem em todas as suas potencialidades, de tal maneira que pudesse ser um melhor cidadão. Definir o que significa esse termo é uma tarefa ingrata e sua interpretação tem variado com o passar do tempo, se vinculando ao tipo de sociedade que se quer desenvolver (ou preservar).

A educação está estritamente vinculada aos valores que uma sociedade sustenta, seus preconceitos aparecerão na organização de seu currículo, no sistema educacional, na própria arquitetura dos espaços destinados à educação, entre outros aspectos. Isso nos traz diversas questões: o que é privilegiado nas escolas e nos conteúdos educacionais como natural/ normal? "Quem" é privilegiado? Por quê? Como esses privilégios se perpetuam? Qual a relação desses privilégios com a manutenção da estrutura de poder e autoridade na sociedade?

As "fronteiras da civilização" não deixaram de existir em nossa sociedade e aceitar algum ideal de homogeneização normatizadora é algo que pode trazer resultados nefastos. Neste blog, você encontrará reflexões acerca da sociedade, escola e cultura.